MEC contesta as críticas levantadas contra o
ProUni
12/07/2005
Na avaliação do Ministério da Educação,
as críticas relativas a uma deficiência
do sistema de renúncia fiscal são equivocadas.
Sobre a Reforma Universitária, MEC confirma que
terceira versão da proposta será divulgada
no dia 27 de julho e enviada à Casa Civil.
Brasília - O Ministério da Educação
respondeu nesta terça-feira (12), por meio de
sua coordenação de comunicação,
às críticas veiculadas em reportagem da
Carta Maior sobre o Programa Universidade para Todos
(ProUni). Segundo o MEC, o ProUni se constitui como
uma iniciativa que garante um grande número de
matrículas para pessoas de baixa renda no ensino
superior a um custo mais baixo para o Estado do que
outros instrumentos, como o Financiamento Estudantil
(FIES).
Neste ano, o programa está atendendo a mais de
100 mil pessoas por meio de bolsas integrais e parciais,
com a expectativa de chegar a 350 mil novas matrículas
em quatro anos. "Desde 1827, de quando data a construção
da primeira instituição que oferecia curso
superior no país, o Estado brasileiro vem conseguindo
oferecer cerca de 125 mil matrículas por ano
nas universidades públicas. O ProUni, em um ano,
fez com que a oferta de bolsas chegue a 112 mil, que
estão sendo preenchidas por jovens de baixa renda
oriundos da escola pública e que não teriam
outro meio de estudar no ensino superior", afirma
o MEC.
A coordenação de comunicação
do ministério diz que as vagas anuais criadas
pelo ProUni serão oferecidas a um custo mais
baixo do que, por exemplo, a manutenção
das despesas com a inadimplência dos financiamentos
concedidos via o programa Financiamento Estudantil (FIES).
Segundo o ministério, dados da Receita Federal
mostram que o custo anual do ProUni, em renúncia
fiscal, totaliza R$ 196 milhões, enquanto o gasto
efetuado para bancar a inadimplência do FIES,
composto por juros subsidiados, custos administrativos
e encargos, chega a R$ 300 milhões por ano.
A avaliação feita pelo MEC é de
que o sistema de financiamento gerava algumas situações
prejudiciais para os estudantes. "Nós estávamos
financiando jovens, que depois de formados saíam
endividados, sem condições de pagar o
financiamento que tinham feito com a União através
do FIES. A porcentagem de inadimplência chegou
a 30%. Nós conseguimos estancar este problema
e já estamos conseguindo reduzi-lo", diz
a assessoria do MEC. "Quem tem FIES é quem
pode pagar depois de formado, quem não pode pagar
depois de formado tem que ter bolsa", defende,
fazendo alusão à lógica do ProUni.
De acordo com o MEC, as críticas relativas às
questões que dizem respeito a uma deficiência
do sistema de renúncia fiscal são equivocadas.
Os representantes da pasta esclarecem que este mecanismo
é constitucional, sendo usado nas instituições
da área de educação porque a carta
magna da legislação brasileira permite.
"O que o ProUni faz é regulamentar a contrapartida
que estas instituições têm de oferecer
ao Estado em troca da isenção constitucionalmente
estabelecida", dizem. Por exemplo, antes as instituições
filantrópicas, para desfrutar do benefício
da isenção de uma série de tributos,
precisavam apenas demonstrar que a sua arrecadação
havia sido reinvestida na própria instituição.
Agora, as universidades filantrópicas que aderirem
ao ProUni terão de destinar 8,5% das matrículas
para pessoas de baixa renda.
Segundo o MEC, o que estava existindo nas instituições
sem fins lucrativos era o uso de mecanismos de reaplicação
de recursos que não garantiam o acesso de pessoas
de classes menos favorecidas. "O que existia nestas
escolas eram descontos comerciais para alunos que não
eram carentes, alunos que suportavam 80%, 90% do preço
da mensalidade. Com o ProUni, a bolsa vai ajudar pessoas
com renda familiar per capita de 1,5 salários
mínimos". O ministério informa também
que 85% das matrículas do setor privado são
de responsabilidade de instituições sem
fins lucrativos. Portanto, o mesmo percentual de bolsas
(85% do total concedidas via ProUni) está sendo
garantido pela regulação desta contrapartida
e não implica em gastos para o Governo. "A
isenção adicional das instituições
com fins lucrativos totaliza somente R$ 196 milhões
por ano", diz a assessoria do ministério.
Em relação às bolsas parciais,
o MEC afirma que o ProUni será usado de maneira
coordenada com o FIES. O objetivo é garantir
a uma parcela dos estudantes que possuem financiamento
um abatimento entre 25% e 50% que será bancado
através do programa. Assim, o MEC visa a diminuir
a carga em cima destas pessoas, reduzindo a evasão
e a inadimplência que ocorre com parte dos estudantes
que recorrem a este mecanismo. "O ProUni é
um dos programas mais bem avaliados do Governo Lula
e vem sendo operado em conjunto com ações
para expansão do ensino público, como
a aprovação de novas universidades públicas
e extensões de campi de instituições
federais já existentes".
Reforma Univesitária
Questionada pela reportagem da Carta Maior sobre os
rumos do anteprojeto de lei do ensino superior, o MEC
afirma que a terceira versão será divulgada
no prazo previsto, no dia 27 de julho, e será
enviada à Casa Civil. A assessoria do ministério
informa que os dirigentes da pasta têm consciência
das mudanças na conjuntura mas que irão
encaminhar o cronograma do projeto como foi solicitado
pelo presidente Lula. "Ele pediu que os projetos
na áera da educação tivessem prioridade
e fossem tocados a pleno vapor", comenta.
Ao sair do ministério, o projeto vai para a Casa
Civil, onde sofre ajustes de ordem política e
jurídica. Depois, é enviado ao Congresso.
Nas atuais condições, torna-se difícil
prever qual será o tempo de tramitação
da proposta, ainda mais com sua relevância para
a sociedade. Perguntada sobre a sucessão no ministério,
a assessoria falou que não comentaria e que o
presidente Lula irá divulgar a mudança
em breve.
Fonte:
Carta Maior - Por Jonas Valente
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