Cientistas avançam em estudo sobre parasita do mal de Chagas

Washington

Equipe formada por cientistas de Brasil, Estados Unidos, Europa, Argentina e Venezuela estudou o mapa genético de parasitas
EFE - Uma equipe internacional avança na identificação do mecanismo pelo qual o parasita responsável pelo Mal de Chagas, que provoca cerca de 50 mil mortes por ano na América Latina, atinge o sistema de imunidade da pessoa infectada. "Isto permitirá que encontremos ´alvos´ para determinar os tratamentos médicos", disse à EFE a bióloga argentina Elisabet Scalar, do Instituto para Pesquisa Genômica em Maryland. "Temos de achar uma cura para esta doença", afirmou.
Scalar faz parte de uma equipe formada por cientistas de Brasil, Estados Unidos, Europa, Argentina e Venezuela que estudou o mapa genético de três parasitas relacionados entre si mas que causam doenças diferentes, entre elas o Mal de Chagas.
As pesquisas dirigidas por Najib El-Sayed estão na prestigiada revista Science. Estes parasitas são o Trypanosoma cruzi, que causa o Mal de Chagas, o Trypanosoma brucei, que causa na África a chamada "doença do sono", e o Leishamania major, que causa a doença calazar.
Segundo a Agência Nacional de Saúde da Argentina, mais de 20 milhões de pessoas na América Latina são vítimas do Mal de Chagas, e cerca de 50 mil pessoas morrem anualmente por essa doença do México até o sul do continente.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tripanosomíase ou "doença do sono" infecta mais de 400 mil pessoas e ameaça mais de 60 milhões de humanos em 36 países ao sul do Saara. A leishmaniose é endêmica em 88 países e pode ameaçar cerca de 300 milhões de pessoas.
Os três parasitas causam doenças que são muito diferentes e são transmitidas por insetos muito diferentes, mas os cientistas descobriram que estes agentes patógenos têm um núcleo de aproximadamente 6.200 genes cujos parecidos superam suas diferenças. "Quando se analisam os genes básicos, (conclui-se que) são muito similares", disse Scalar. "O propósito foi identificar os genes que estejam relacionados com a patologia da doença", disse a bióloga, que se formou na Universidade de Buenos Aires e fez pós-graduação no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.
A observação da seqüência genética destes parasitas "permitiu identificar a presença de uma família de genes muito extensa que contém mais de mil genes relacionados e que podem estar envolvidos na forma como o parasita evita a resposta imune da pessoa infectada", acrescentou. "O núcleo de genes comuns é extremamente importante porque pode proporcionar os ´alvos´ para uma nova geração de remédios que combatam os três parasitas que ameaçam milhões de pessoas no mundo todo", disse El-Sayed. "Por enquanto não há vacinas, e só contamos com poucos remédios inadequados para combater estas doenças devastadoras", acrescentou.
A comparação das seqüências genéticas, uma tarefa minuciosa da qual Scalar participou como microbióloga na análise informática, encontrou dezenas de genes nos três parasitas que "podem haver sido adquiridos de bactérias mediante a transferência lateral de genes", segundo o artigo. "Uma descoberta importante no estudo do genoma do Trypanosoma cruzi foi a descoberta de um conjunto inovador e grande de 1.300 genes que podem desempenhar um papel na forma como o parasita as regula para sobreviver na variedade de corpos que infecta" disse. .

Fonte: Agência Estador



 
 

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