30
novos nomes entram na lista suja do Ministério
do Trabalho
Por Verena Glass
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou
esta semana a atualização da Lista Suja
do Trabalho Escravo com 30 novos nomes de estabelecimentos
agropecuários e fazendeiros - 11 do Tocantins,
9 do Pará, 3 do Mato Grosso, 1 do Piauí,
5 do Maranhão e 1 de Rondônia -, totalizando
agora 188 empregadores rurais flagrados e condenados
pela prática de submissão de trabalhadores
a condição análoga à escravidão.
Os nomes incluídos na lista este mês são
referentes a casos de autuações entre
os anos de 1995 e 2005 que tramitaram em processos administrativos
do Poder Executivo e que, nos autos de infração,
apresentaram o conjunto de elementos que caracteriza
o trabalho escravo.
O número de 10.190 trabalhadores libertados nos
últimos dez anos que consta na lista do MTE não
ilustra, no entanto, nem aproximadamente o real número
de pessoas encontradas pelas Grupo Especial de fiscalização
móvel do órgão em condições
de escravidão neste mesmo período. Só
este ano, de janeiro a junho, foram libertados 1.353
trabalhadores, afirma a assessoria do MTE. Se formos
mais longe, ainda segundo o Ministério, de 1995
a 2002 as libertações envolveram 5.893
trabalhadores, e de 93 até o momento, mais de
10 mil trabalhadores. Mas muitos destes processos ainda
estão tramitado legalmente.
Além da lentidão dos processos que determinam
a culpabilidade dos fazendeiros - e que permitem a sua
inclusão na lista -, no entanto, há ainda
a tentativa, algumas vezes exitosa, de apelação
à justiça. Tanto que, através do
mecanismo de liminares, 13 casos foram provisoriamente
retirados da relação do MTE.
"O exemplo mais expressivo é o do fazendeiro
Jorge Mutran, proprietário da Fazenda Cabaceiras,
desapropriada pelo governo por ferir todas as legislações
ambientais e trabalhistas. Através de liminares,
porém, Mutran não apenas suspendeu o efeito
da desapropriação, como retirou seu nome
da lista suja. Caso contrário, ele teria entrado
nesta atualização, constando da lista
pela terceira vez. A primeira, em 2003, deu conta de
47 trabalhadores liberados; a segunda, em 2004, de 41,
e este ano teria reincidido pela terceira vez pela liberação
de outros 13 escravos", explica Marcelo Campos,
coordenador do Grupo Especial de fiscalização
móvel do MTE. Por outro lado, a família
Mutran foi representada na atualização
da lista suja por Celso Chuquia Mutran, proprietário
da Fazenda Baguá, em Eldorado dos Carajás,
Pará, onde foram libertados 35 escravos.
A inclusão na lista suja impossibilita aos citados
tomar financiamentos nos bancos públicos, inclusive
no BNDES. "Acho que este mecanismo está
sendo efetivo. A maioria das liminares que chegam à
Justiça são de fazendeiros que querem
efetuar impréstimos e não conseguem. Temos
que fazer com que o trabalho escravo se torne algo caro,
só assim os que ainda se utilizam deste artifício
poderão ser demovidos", afirma Campos. A
ONG Reporter Brasil disponibiliza em seu site (www.reporterbrasil.org.br)
um mecanismo pelo qual é possível verificar
os componentes da lista por atividade, nome da propriedade
ou do fazendeiro, estados, entre outros.
PEC do trabalho escravo
A Proposta de Emenda Constitucional 438, conhecida como
a PEC do trabalho escravo e que deve possibilitar a
desapropriação de fazendas condenadas
pela utilização de mão de obra
escrava, ainda está parada no Congresso. Segundo
o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, a
matéria deveria entrar na pauta assim que esta
fosse desobstruída.
"A desobstrução da pauta ocorreu
nesta quinta-feira passada (7), e o presidente da Câmara
já firmou um compromisso com as entidades sociais
de que a PEC seria votada. Mas como uma emenda constitucional
tem de ser aprovada por maioria absolutas (380 votos),
a matéria depende da aprovação
do colégio de líderes de bancadas para
que entre na pauta. Isto deve acontecer em agosto, depois
do recesso parlamentar", afirmou o assessor de
Cavalcanti, Cid Queiroz.
Fonte:
Agência Carta Maior
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