Inclusão
Digital: a necessidade de ações coordenadas
Por: Maria Nezilda Culti e Maria Viviane
Monteiro Delgado
A Inclusão Digital tem sido uma expressão
muito utilizada nos últimos tempos. Sua importância
passou a ser percebida pelos órgãos governamentais,
iniciativa privada e organizações da Sociedade
Civil. Mas a Inclusão Digital passou a ser conhecida
nos quatro cantos do país graças a uma
iniciativa, fruto de uma idéia que passou a se
difundir e ganhar notoriedade, que se concretizou a
constituição do Comitê para Democratização
da Informática (CDI), criada em 1995 por Rodrigo
Baggio, uma Organização Não Governamental
(ONG), que tem como objetivo promover a Inclusão
Digital em comunidades carentes, utilizando-se das Tecnologias
da Informação e da Comunicação
(TIC) como instrumento para a construção
e o exercício da cidadania. Hoje estão
espalhados comitês nas várias cidades do
país, mais especificamente em comunidades de
baixa renda, mobilizando a comunidade local. Seu crescimento
só foi possível graças a ajuda
de várias empresas privadas nacionais, multinacionais
e órgãos multilaterais, tais como o Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial
(BM). O CDI em fevereiro de 2004 contava com uma rede
de 837 Escolas de Informática e Cidadania (EIC),
sendo 751 no País e 86 no exterior (CRUZ, 2004,
p. 59).
Ações como desta ONG e de iniciativas
de empresas privadas são válidas no combate
a cada vez maior desigualdade social no nosso país.
Todavia não se deve esquecer de haver outras
formas interagindo e atuando, em especial no que diz
respeito a responsabilidade do Estado, incluindo este
em suas políticas públicas, mecanismos
de inclusão social de forma eficaz e sustentável.
A Inclusão Digital (ID) é uma ação
positiva e tem, nesse contexto, um papel importante
a desempenhar visto que cada vez mais o conhecimento
é considerado riqueza e poder. É bom lembrar
que ID não se restringe apenas ao acesso às
tecnologias e seu respectivo uso, mas sim à capacitação
para a utilização das TICs, fazendo concomitantemente
com que o indivíduo possa decidir como e para
que utilizá-la. Sem falar que o domínio
da informática hoje vira peça fundamental
no mundo do trabalho, mesmo nos cargos mais simples.
O fosso da exclusão digital é gritante,
os dados confirmam: segundo os microdados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) 2001,
12,46% da população brasileira possui
acesso ao computador, sendo que desse percentual, 8,31%
têm acesso à Internet. Um detalhe é
que cerca de 97% dos Incluídos Digitais vivem
nos centros urbanos. Um outro dado importante seria
o que toca as etnias: Os amarelos (descendentes de orientais)
são o grupo de maior acesso proporcional: 41,66%;
seguidos pelos brancos: 15,14%; pardos: 4,06%. Esses
dados, entre outros, foram utilizados para dar origem
ao Mapa da Exclusão Digital, que seria o primeiro
estudo nos diversos segmentos da sociedade no tocante
às TICs, tomando como consideração
não apenas o capital físico, que seriam
as máquinas e os softwares, mas também
o capital humano, com a capacitação e
a educação, visando assim o desenvolvimento
social. Uma iniciativa importante que serve como referência
para definições de estratégias,
orientando políticas públicas, ações
de empreendedores sociais, assim como de instituições
da sociedade civil, objetivando ações
integradas a outros tipos de ações, no
sentido de diminuir a desigualdade social de forma sustentável.
(MAPA DA EXCLUSÃO DIGITAL, 2003).
É imperativo hoje a urgência da Inclusão
Digital (ID), tanto que a Organização
das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o
atraso digital como uma das quatro grandes mazelas da
atualidade, caminhando junto com a fome, desemprego
e o analfabetismo. As iniciativas multiplicam-se no
país, no que diz respeito à Inclusão
Digital. A ajuda vem de vários segmentos da sociedade,
iniciativas governamentais em todas as esferas (Federal,
Estadual e Municipal), através de projetos e
parcerias. São iniciativas importantes, todavia,
a Inclusão Digital por si só não
vai corresponder aos resultados esperados, que seria
a diminuição das desigualdades sociais,
simplesmente oferecendo oportunidades.
Num país de contrastes como o nosso, no qual
somos uma das 15 potências econômicas do
mundo, estamos no quesito desigualdade social numa situação
muito sofrida, somos a quarta nação mais
desigual do mundo, segundo o Relatório de Desenvolvimento
Humano de 2002. Para se obter de forma consistente a
Inclusão Digital (ID), e conseqüentemente
diminuir a distância entre ricos e pobres, deve
haver por parte das iniciativas governamentais três
preocupações básicas, que foi muito
bem colocado no artigo: Os Três Pilares da Inclusão
Digital (http://www.espaçoacademico.com.br/024/24amsf.html)
- que para alcançar a Inclusão Digital
são necessários -: Tecnologias de Informação
e comunicação (TICs), renda e educação.
Segundo o autor do texto: “É preciso que
os formuladores de política pública do
governo percebam que a exclusão sócio-econômica
desencadeia a exclusão digital ao mesmo tempo
que a exclusão digital aprofunda a exclusão
socioeconômica”.
Para ampliar o universo de pessoas com acesso às
novas tecnologias, ou seja, participante ativa e de
forma sustentável desse processo de Inclusão
Digital, é essencial melhorar as condições
de vida, dando uma educação de qualidade,
tornando possível um uso efetivo e consciente
do porquê estão aprendendo a usá-la
e quais os benefícios que pode usufruir para
melhorar sua realidade. A renda seria um item básico,
o indivíduo deve ter condições
mínimas de manter uma linha telefônica,
um computador com acesso à internet, fazendo
uso para obter informações das mais diversas
na rede, ampliando ainda mais seu mundo. Aí sim
aprender as mais variadas formas de uso das Tecnologias
da Informação e Comunicação
à disposição da sociedade hoje.
Sendo assim, computadores e conexões são
insuficientes se não usadas de forma efetiva,
sendo as pessoas envolvidas, estimuladas no seu uso,
com condições de pagar pelo mesmo e mais
importante, que saibam por que estão usando.
Nos países em desenvolvimento, como é
o caso do nosso, os projetos de Inclusão Digital
(ID) só serão bem sucedidos no momento
em que forem integrados a ações que contemplem
este tripé: Educação de qualidade,
Renda e Acesso aos conhecimentos em TICs. Para tanto,
é fundamental o empenho do Estado na execução
de políticas públicas com este objetivo.
Só assim pode haver uma real melhoria da qualidade
de vida e uma construção de uma sociedade
mais justa.
Referências Bibliográficas
PROGRAMA DAS NAÇÕES
UNIDAS PARA O DESENVOLVIMETO.
Relatório do Desenvolvimento Humano 2002. Lisboa,
2002.
NERI, Marcelo Cortês. Mapa da inclusão
digital. Rio de Janeiro: FGV/IBRE, CPS, 2003.
CRUZ, Renato. O que as empresas podem fazer pela inclusão
digital . São Paulo: Instituto Ethos, 2004.
SILVA Filho, Antonio.Os Três Pilares da Inclusão
Digital. Espaço acadêmico.
Disponível em http://www.espacoacademico.com.br/024/24amsf.htm
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